Trocando os pneus

Está chegando o momento de trocar os pneus de meu carro. Como estou tentando ser uma pessoa que faz as coisas importantes ao invés das urgentes, já estou me planejando para trocar antes que algum deles fure ou eu sofra um acidente.

Isso me lembrou uma velha discussão: muitas pessoas, por não disporem de dinheiro no momento da troca, preferem comprar apenas 1 par de pneus novos e deixar para comprar o outro depois.

A dúvida que sempre surge é em que eixo deve ficar o par de pneus novos. No eixo dianteiro ou traseiro?

Meu pai e muitas outras pessoas (a grande maioria) são a favor da colocação dos pneus novos no eixo dianteiro, por se tratar das rodas que guiam o carro e, na maioria dos casos, se tratar também das rodas que tracionam o veículo.

O fato é que, independente do eixo de tração do veículo, os pneus novos devem ficar no eixo traseiro. Explico.

Primeiro, precisamos esclarecer duas características que um carro pode ter quando realizando uma curva. Ele pode ser subesterçante (understeer) ou sobresterçante (oversteer).

Um carro subesterçante(90% dos carros do mercado o são) tende a sair de frente ao contornar uma curva. Sair de frente significa bater de frente com outro veículo se a curva for para a direita, ou bater na árvore se a curva for para a esquerda.

Já um carro sobresterçante tendem a sair de traseira ao contornar uma curva. Sair de traseira significa… er, hã, significa muita coisa. Pode ser ficar atravessado na pista contrária e ser atingido no meio, se a curva for para direita. Pode ser bater de frente em uma árvore à sua direira quando virando para a… direita. Pode significar também rodar e ser atingido de frente por um carro que vai no mesmo sentido que você.

Carros sobresterçantes são muito mais difíceis  de controlar, e é por isso que mesmo as Ferraris possuem uma calibragem para deixar o carro saindo de frente. Embora os carros de tração traseira(como as Ferrari) tendam a sair de traseira.

O fato é que quando um carro sai de frente ele escapa pela tangente, ou seja, passa reto pela curva. E essa situação é muito simples de ser resolvida.

Dependendo da velocidade basta aliviar o pé do acelarador para que o carro volte a contornar a curva corretamente. Em outros casos será preciso utilizar os freios levemente. Mas é só isso, basta diminuir a velocidade do carro.

Quando um carro sai de traseira, muitas coisas precisam ser feitas para contornar a situação. A primeira delas é não frear, pois os freios atuam mais fortemente sobre as rodas dianteiras, o que faria o carro girar ainda mais! No máximo tire o pé do acelerador.

A segunda coisa para corrigir um carro que sai de traseira é esterçar o volante no sentido contrário ao da curva. Isso mesmo, se você está virando para a direita e o carro sai de traseira você deve virar o carro para a esquerda, para que o carro “ganhe” mais espaço e o raio da curva seja aumentado.

Acontece que isso tudo exige uma reação muito mais rápida por parte do motorista e, na segunda situação, pode levar o carro para a contramão em caso de curva para a direita.

E não sou apenas eu que defendo que os pneus novos devem ficar na traseira. A Michelin, a Pirelli e o site Best Cars dizem o mesmo.

Também achei este vídeo no youtube onde um piloto, na primeira tentativa, utiliza pneus mais novos na frente. Note que ele acaba rodando embora tente “segurar” o carro.

Já na segunda parte, o carro possui pneus de estado semelhante e o máximo que acontece é uma pequena saída de pista, porém sem perda do controle do carro.

Neste vídeo é possível ver Schumacher evitando uma rodada em montreal. Neste outro, ainda mais impressionante, ele evita uma rodada em ímola. Em ambos os casos o carro saiu de traseira.

Para encerrar, este vídeo mostra o acidente fatal de Gordon Smiley em indianápolis. O carro dele saiu de traseira e ele foi tentar corrigir. Não deu muito certo.

Portanto, para evitar a fadiga, sempre coloque os melhores pneus na traseira.

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7 Respostas to “Trocando os pneus”

  1. Cunhada Says:

    Bjornn, meu filho, procure relaxar mais. Desse jeito, vc vai ficar doidooooooooooo!

  2. Gustavo Says:

    rs…

  3. Tarcisio Brasil Says:

    Realmente os carros substerçantes, tem a vocação de sair de frente, de modo q se os pneus novos forem p/ frente com certeza irá sair de trazeira, portanto como é tração dianteira, ao acelerar a frente puxa e trazeira corrige e o carro volta a trajetoria desejada, apontada com leve toque ao volante( sem brigar)

  4. Hauff Says:

    Ótimo artigo Bjornn. Eu colocaria na frente também se não tivesse lido seu artigo. Creio que muitas pessoas podem se dar bem lendo isso.
    Mas acredito que faltou dizer as consequências de um bom pneu traseiro e um pneu ruim na dianteira quando você precisa fazer uma curva em uma descida. hehe
    Abraço!

  5. José Carlos da Silveira Vieira Says:

    Salve Bjornn
    esta é a resposta ao e-mail que recebi com aquele teste filmezinho que mostra que pneus novos é na “traseira”.

    Caminha,

    salve mano!
    Achei estranho tu caíres nessa.
    Logo tu, um colega Eng. Mec.!
    Este teste é absolutamente inconclusivo. Testa apenas a aderência das rodas traseiras.
    Nós, os Eng. Mec. sabemos que numa frenagem, a normal sobre o eixo dianteiro é várias vezes aumentada. Por conseguinte, a força de atrito também. É pois, sobre o eixo dianteiro, que atua o momento formado pela força resultante da frenagem (atrito dos pneus vezes o braço de alavanca que vai do chão ao centro de massa do veículo). E, logo, são as rodas dianteiras que param o veículo. (Quem é motoqueiro sabe muito bem disso).
    O teste se preocupou apenas em garantir a aderência do eixo traseiro, para que o carro não saia de traseira (sobresterçante). Nos casos de saída de traseira, quase sempre é possível fazer a correção: virar a direção para o outro lado da curva.
    O que temos de evitar sempre, e em qualquer situação, é o carro sair de dianteira (subesterçante), pois neste caso, não há como fazer correções. O acidente, nas saídas de dianteira, é sempre certo e grave.
    Este e-mail, com este filminho inconclusivo, está prestando um grande desserviço aos motoristas comuns.
    O piloto de provas não deve ter, eu creio, conhecimento de causa. Ou pelo menos, não se interessou em mostrar a catástrofe que é sair de dianteira. Ou ainda, parar o carro no menor espaço possível. Num terreno molhado, quando a sinaleira fecha e o trânsito pára é que se pode valorizar os bons efeitos de pneus novos na dianteira.
    Portanto, meu grande amigo, pneus novos são sempre na dianteira, sim, como aprendemos na Engenharia Mecânica.

    Um pouquinho da história do automóvel:

    os primeiros automóveis fabricados no mundo, tinham tração dianteira. Mas isto foi mudado por uma necessidade imperiosa: reduzir o grande número de acidentes resultantes de derrapagens (subesterçantes) nas curvas. Estas tinham como causas:

    a) as estradas eram de areia, e portanto, escorregadias;

    b) a tecnologia de pneus era embrionária. Os pneus eram diagonais, tinham pouca aderência, e

    c) a tração era dianteira.

    Isto obrigou a engenharia da época a mudar o sistema de tração para a traseira.

    Com isto, melhorou-se a aderência dos pneus dianteiros, pois não tinham mais a função de tração.

    Com a chegada do asfalto e a melhoria substancial da tecnologia dos pneus – vieram os pneus radiais, com sulcos testados em fábrica – foi possível retornar à tração dianteira.

    Qual a vantagem? simples, na tração dianteira, não temos mais os longos eixos cardans, o peso do veículo diminuiu e também as vibrações que aparecem nos cardans com folgas.

    Além disso, o túnel no assoalho do automóvel não é mais necessário.

    Conclusão: a tração dianteira só foi viável quando a tecnologia de estradas, pneus e materiais (borracha) foi melhorada.

    Os carros com tração dianteira continuam tendo tendência subesterçante, porém a tencologia moderna reduziu esta tendência a limites seguros.

    E agora podemos dizer: “PNEUS NOVOS É NA DIANTEIRA E PONTO FINAL”.

    Eng. Vieira.

    • bjornn Says:

      Vieira

      Até concordo que os pneus dianteiros recebem mais carga durante uma frenagem, devido ao levantamento da parte traseira e inclinação da parte dianteira.
      Mas também é verdade que isso é bastante minimizado em casos de carros com freio à disco nas quatro rodas. Isso também é minimizado no caso das motos, já que você pode controlar a força de frenagem de cada uma das rodas.

      Logo, acho que isso pode ter uma certa influência, mas ela com certeza é minimizada diante de outras muito mais importantes:

      1) Ao contrário do que você disse, NÃO é “quase sempre possível” fazer a correção de um movimento sobresterçante. Isso NÃO é uma coisa trivial e poucas pessoas sabem como corrigir isso. Apenas pessoas que realmente dominam um carro e SABEM dirigir (e não as que “tocam carro” no fim de semana) são capazes de efetuar uma correção desses. E o sucesso não é garantido.

      2) As saídas de dianteira (subesterçantes) não são necessariamente mais graves e com certeza não são “acidentes na certa”.
      Todos ouvimos que não devemos frear um carro durante uma curva, mas na prática, um carro que sai de frente não curvou, o que torna perfeitamente possível frear o carro, coisa que NUNCA se deve fazer em movimentos de saída de traseira.

      Vale ressaltar aqui que se podemos aplicar uma pressão 100% no pedal do freio com o carro em linha reta, podemos aplicar apenas 80% numa curva de raio X, 70% numa de raio Y, ou 50% numa curva de raio Z, bem mais fechada.

      Mas na prática é sempre possível frear um carro que esteja indo “reto” não esteja querendo fazer uma curva.

      Tanto na saída de traseira quanto de dianteira há o risco de se invadir a contra-mão, mas frear é algo muito mais institivo do que desacelar e virar o volante para o lado contrário (saída de traseira), e por isso as saídas de traseira são mais “acidentes na certa”. Sem falar que a correção de uma saída de traseira demanda muito mais espaço para dar certo.

      Mas eu concordo que talvez você tenha algum ganho em frenagens em linha reta. Pelo menos na maior parte dos carros, que possuem freios à disco nas rodas dianteiras.

  6. Yoseh Says:

    Estou confuso agora, há pró e contra, traseiro ou dianteiro?. Há muito resolvi esta questão, quando coloquei pneus novos na traseira e deixei os dois não tão novos na dianteira. conseqüência? Aquaplanei a 60km (isso mesmo míseros 60km) na Av. Anhaia Melo. Não sou nenhum “Schummy”, não pisei no freio e fui dando leve toques no volante, até pegar chão. Não sei se algum motorista não tão experiente conseguiria sair desta, não arrisco mais, os melhores vão na frente.

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