Os Axiomas de Zurique

ISBN: 8501033502
Editora: Record
Autor: Max Gunther

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Este livro foi desenvolvido a partir de conversas de um grupo de amigos que trabalhavam no mercado de ações em Wall Street. Neste livro você entenderá porque a suíça, um país pequeno, sem mar, com um solo pobre e sem uma gota de petróleo possui uma das maiores rendas per capta do mundo.

Entenderá que os suíços, em sua grande maioria, possuem uma visão diferente da vida. Enquanto a maioria das pessoas procura viver a vida sem correr riscos os suíços se expõem deliberadamente à eles. Mostram a cara e apostam para ganhar.

Você ficará convencido que não ficará rico com o seu próprio salário e que precisa arriscar se quiser conseguir algo. É a lei.

O livro desmistificará a falácia que você precisa dar duro para conseguir um emprego estável, com benefícios e aguardar a aposentadoria. Você aprenderá como correr riscos e administrá-los.

Você também descobrirá que não existe diferença entre investidor e especulador. Entenderá que sempre que colocar seu dinheiro em algo e almejar retorno por meio da valorização daquilo estará especulando. Seja no curto, médio ou longo prazo. Seja em imóveis ou na bolsa de valores.

Não espere encontrar neste conselhos financeiros oferecidos pela maioria dos consultores financeiros. Você entenderá que os banqueiros suíços possuem bilhões porque pensam e agem diferente das outras pessoas.

Os axiomas são “leis implícitas” do mundo da especulação que foram identificadas quando um grupo de amigos bem sucedidos tentou entender a razão de serem mais ricos que as outras pessoas.

A partir deste momento começaram a prestar atenção em suas ações para entender o motivo de estarem comprando ouro enquanto todo mundo estava comprando imóveis. Foram então idenficados 12 axiomas grandes e 16 axiomas menores que regem o mundo dos investimentos e especulações.

Caso você se entenda e se atenha a estas “regras da riqueza”, é grande sua possibilidade de enriquecer. Afinal elas têm sido colocadas à prova ao longo dos anos e resistido.

O 1º Grande Axioma: Do Risco
Preocupação não é doença, mas sinal de saúde.
Se você não está preocupado, não está arriscando o suficiente.

Muitas pessoas, a maioria, gosta de viver suas vidas de forma tranquila e sem sustos. Se o item em questão for dinheiro então, nem pensam na possiblidade de perder um centavo sequer.

Acontece que não existe recompensa sem risco pois ele é intrínseco às grandes conquistas. A vida deve ser vivida como uma aventura, e não vegetando. Por aventura pode-se definir um episódio no qual se enfrenta algum tipo de risco e procura-se superá-lo.

Ao enfrentar algum risco, sua reação natural, sadia, é entrar em estado de preocupação. Mas isso faz parte da vida, seja nas paixões, nos esportes ou nos investimentos.

Você não assitiria à uma corrida de lesmas paralíticas, pois não há risco nenhum envolvido e consequentemente não parece ser uma aventura para você, não é? Assistir à uma corrida de carros a mais 300 km/h ou a uma luta parece mais interessante, não é?

Tenho certeza que você entendeu o que eu quis dizer no parágrafo acima mesmo que não goste de corridas. Nós precisamos da emoção e do risco para nos sentir vivos!

Hoje, se você colocar R$ 100,00 na poupança o banco vai te devolver R$ 115,00 no fim do ano, fora o imposto de renda. Isso pq eu estou sendo bonzinho e calculando uma taxa de juros de 15% ao ano. Quais são suas chances de ficar rico? Você acha que isso vai mudar alguma coisa no seu panorama financeiro?

Claro que você pode receber o outro lado da moeda e perder dinheiro ao tentar ficar rico, mas qual o problema? A sua vida situação financeira já deve ser uma droga mesmo! Não deve fazer uma grande diferença ficar um pouco mais pobre tentando ser rico.

A questão é se você quer ter que trabalhar até os 65 anos, para então parar de trabalhar, receber uma pensão medíocre e tentar viver com o que acumulou. Isso a troco de quê? De ter a certeza que os seus R$ 100,00 serão R$ 115,00 no fim do ano?

Muita gente acha que é coisa de louco viver cheio de preocupações deste tipo. Vou lhe dar uma notícia: você, hoje já vive cheio de preocupações mesmo sendo pobre. Exemplo: os remédios vão subir de novo? Será que o meu aumento vai ser acima da inflação? Será que poderei pagar a faculdade de meu filho?

Que mal há em trocá-las por: será que a bolsa sobe este semestre? Será que o governo americano vai baixar os juros? Será que alguém vai se interessar por este terreno no futuro?

A única diferença é que as últimas preocupações podem te deixar rico. As primeiras não!

E ainda vou lhe dizer mais: se você é assalariado porque está com medo de perder o seu dinheiro? No mês que vem tem mais.

1º Axioma Menor
Só aposte o que valer a pena.

Há um clichê que diz: “Só se deve apostar o que se possa perder”. Você vai ouvir isso em Las Vegas, Wall Street e em qualquer lugar em que se arrisque dinheiro em busca de mais dinheiro.

Mas quanto você pode perder? R$ 10,00? R$ 50,00? Ok, R$ 500,00. Suponhamos que você invista R$ 500,00 e triplique(como eu sou bonzinho) o seu dinherio. Você ainda está pobre. Não vai adiantar nada e você terá se esforçado por nada.

Não digo para você sair por aí arriscando seu dinheiro a esmo, mas se você chegou à conclusão que algo é promissor, vá em frente e se dê uma chance de mudar sua vida.

No livro o autor conta como J. Paul Getty se tornou um magnata do petróleo e em valores corrigidos, ainda seria um dos homens mais ricos do mundo hoje.

2º Axioma Menor
Resista à tentação das diversificações.

Há também um outro clichê, sempre dito pelos assessores de investimento e gerentes de banco: “Não coloque todos os ovos na mesma cesta”.

Diversificar nada mais é do que tentar evitar a preocupação e procurar segurança. Já vimos que isso não vai te deixar rico.

Sem falar no seguinte: o conselho acima só vale caso você você tropece e caia. Aí tudo bem, como estaria com apenas uma das cestas em mãos, o dano seria minimizado. O que você nunca pensou à respeito é o que acontece caso apareçam as raposas querendo comer os ovos.

Curioso? Vou lhe dizer: você vai ficar correndo de um lado para o outro igual louco tentando salvar suas várias cestas. Concorda?

Portanto, caminhe com cuidado(isso depende só de você) mas com levando todos os ovos juntos, pois se a raposa aparecer você poderá defendê-los facilmente. Afinal, você não pode evitar que as raposas apareçam.

Sem falar que ao diversificar você viola o 1º axioma menor, pois se você já tem pouco dinheiro, ao dividí-lo terá menos ainda.

É isso. Para ficar rico você precisa estar disposto a se machucar um pouco, pois faz parte do processo. No fim você verá que a preocupação não é uma doença e sim um molho picante da vida.

O 2º Grande Axioma: Da Ganância
Realize o lucro sempre cedo demais.

Praticamente, o único ato de auto-controle que você precisa ter para ser um especulador melhor que 99% dos que andam por aí é controlar sua ganância.

Os amadores, seja no jogo do mercado financeiro ou em uma mesa de pôquer, sempre demoram-se demais para parar e acabam perdendo até mais do que haviam ganhado.

Não se deve confundir a ganância com o desejo real e válido de se querer ter mais ou ter melhor. A ganância se caracteriza por se querer mais agora do que se queria no começo, ou por se querer mais do que seria justo ou lógico se esperar. A ganância é a perda do controle sobre os seus desejos.

Você não deve tentar esticar a sua sorte, forçá-la. Em uma jogada especulativa sempre haverão períodos de perdas e ganhos, vacas gordas e vacas magras. Você pode estar empolgado, mas não deve desejar que os períodos bons durem para sempre, pois é impossível.

Caso você não tenha controlado sua ganância você surfará na crista da onda, até cair por alguma cachoeira abaixo.

Você não pode prever o futuro, logo, não pode saber quando o período de ganhos chegará ao fim. Você deve seguir a média e se contentar com algum lucro e sair fora o quanto antes.

Quando digo média, me refiro às médias dos acontecimentos: períodos longos de ganhos são raros e por isso são notícia. Pequenos períodos de ganhos são frequentes e por isso passam desapercebidos. Aposte na média, dos eventos.

Algumas vezes você poderá se arrepender de ter saído muito cedo, mas na maioria das vezes você terá feito a coisa certa.

O ideal seria você conseguir parar no ponto mais alto e ganhar até o último centavo possível. Mas o ideal normalmente não acontece, e olhando as possibilidades, qual a chance de você jogar uma moeda em um poço onde não se pode ver o fundo e ela toca-lo exatamente no momento em que você disser “agora”? Ora, são muito baixas. Mas é exatamente o que os gananciosos tentam fazer!

Uma experiência que aconteceu comigo foi a seguinte: apliquei um dinheiro em renda variável para tentar obter um lucro para ajudar a pagar parte de uma TV nova. A aplicação foi um sucesso e estavam faltando apenas R$ 200,00 para pagar toda a TV.

Eu poderia ter tentado a sorte para ver se conseguiria ter a TV “de graça”, mas seria ganância. Eu já tinha um ganho bem maior do que o desejado e previsto no início.

Exercendo o controle sobre minha ganância eu resgatei o dinheiro, juntei com os R$ 200,00 que faltavam e comprei minha TV 29” feliz da vida.

No fim, de fato, eu poderia ter ganho mais pois as ações subiram mais um tempo. Mas não fez diferença, pois eu estava com minha TV em casa, garantida. No fundo eu não perdi, eu deixei de ganhar. É diferente.

3º Axioma Menor
Entre no negócio sabendo quanto quer ganhar;
quando chegar lá, caia fora.

O grande problema dos especuladores amadores é confundir a posição atual com a posição inicial. Por exemplo, ao se investir R$ 1.000,00 em uma ação e após um ano verificar que elas valem R$ 2.000,00, você imediatamente começará pensar que sempre teve os R$ 2.000,00.

Ao invés de pensar: “dobrei minha grana”, ao investir em outra ação que só lhe dê um lucro de R$ 100,00, você vai pensar: “droga de mercado de ações”. E isso estando agora com R$ 2.100,00!!

Isso acontece mais do que se imagina, especialmente se o lucro foi discreto e constante durante todo o ano. Você precisa aprender a controlar este impulso e parar quando atingir seu objetivo.

Pense em um corredor dos 1.500m rasos. Quando ele chega aos 1.500m, acabou! O placar já mostra o vencedor, o dever foi cumprido. Não é cogitada a hipótese de se correr mais 1.500m para ganhar 2 medalhas ao invés de uma!

No mundo da especulação os pontos finais não são tão claros, lógico. Por isso você deve aprender a se controlar e dizer quando é o suficiente.

Uma coisa que pode ajudá-lo a enxergar a linha de chegada é estabelecer um “prêmio” para você quando o objetivo for alcançado. Pegue parte do lucro e compre algo para você. Compre um carro, um sapato, qualquer coisa. Isso lhe dará a sensação de missão cumprida e lhe dará fôlego para a próxima tacada.

No meu caso eu comprei a TV.

O 3º Grande Axioma: Da esperança
Quando o barco começar a afundar, não reze. Abandone-o.

O segundo axioma ensina como agir quando as coisas vão bem. Este ensina a agir quando as coisas vão mal. E pode apostar que irão.

Normalmente metade de suas previsões falharão. Metade de seus desejos não se realizarão e metade dos conselhos que você ouvir não serão úteis.

Caso você não aprenda o que fazer quando as coisas saem erradas, perderá R$ 1,00 para cada R$ 1,00 ganhar. É assim que a matemática explica porque há varias pessoas que ficam sempre no mesmo lugar, sem progredir.

Esta habilidade é difícil de se conseguir pois requer coragem e honestidade consigo mesmo, mas é essa capacidade que diferencia os homens dos meninos. É uma das peças mais importantes para o especulador.

A incapacidade a abondar rapidamente um barco que esteja afundando já causou mais dor e derramou mais lágrimas que qualquer outro acidente financeiro, pode apostar. Ficar estático, apenas torcendo pode ter consequências devastadoras sobre o capital de um especulador.

Sempre que o barco começar a afundar, e eu disse começar, não reze, não tampe os olhos, não torça. Simplemente pergunte-se se o problema que vem surgindo tem solução ou se há um indício factível de que a situação está melhorando. Se não, pule fora imediatamente.

A maioria dos especuladores possuem regras que aceitam uma perda entre 10% e 20% do maior valor que o ativo alcançou enquanto esteve com você. Por exemplo, se você comprou uma casa por R$ 100.000,00 e hoje ela vale R$ 80.000,00, você está 20% abaixo do maior valor e deve vender. O mesmo deveria fazer se a mesma casa um dia tivesse valido R$ 200.000,00 e hoje valha R$ 160.000,00, exatos 20% abaixo do maior valor mas desta vez com um bom lucro.

Saber agir é apenas a metade do caminho. Você encontrará 3 obstáculos que terá que vencer quando quiser sair de um operação malsucedida.

O primeiro obstáculo é o medo de arrepender-se. Algumas vezes você venderá uma ação e a verá dobrar de valor no dia seguinte, concretizando o seu temor. Acontece, faz parte do jogo.

A boa notícia é que isso é mais raro de acontecer. Normalmente os acontecimentos possuem uma tendência que é seguida durante um tempo bem maior que alguns dias, e ao apostar nas tendências você tem muito mais chances de acertar.

O segundo obstáculo é a necessidade de abrir mão de parte de seu capital, como por exemplo deixar para trás aqueles R$ 20.000,00 da casa do exemplo anterior. Faz parte de jogo e você não passará de um típico especulador medíocre se não estiver disposto a controlar este instinto e a aguentar pequenas dores. Na verdade poderá chegar a um investiro falido.

Você precisa aceitar as pequenas perdas para evitar as grandes. Esse é o ponto. Ao invés ficar na esperança de tentar recuperar os R$ 20.000,00 com a casa, controle seu orgulho e sua dor, venda-a e invista seu dinheiro em algo mais promissor. É assim que se recupera o dinheiro.

O terceiro obstáculo é o maior de todos para grande parte das pessoas: Admitir que errou. Para sair de um mau negócio você precisa admitir para seu corretor ou para qualquer pessoa com quem esteja envolvido. Talvez terá que admitir para sua esposa e outros membros de sua família, mas o mais doloroso é admitir para você mesmo.

Novamente, isso exigirá sua dedicacão para que você possa controlar o seu ego e não mais tomar decisões baseadas nas emoções.

O 4º Axioma Menor
Aceite as pequenas perdas com um sorriso, como fatos da vida.
Conte incorrer em várias, enquanto espera um grande ganho.

Você há de entender que as pequenas perdas, no fundo, são um forma de proteção contra as grandes perdas. Operando em mercados líquidos como ações e ouro por exemplo, a chance de você ser surpreendido por uma catástrofe é realmente pequena.

Essas pequenas perdas devem ser encaradas como fatos da vida, assim como sua conta de luz ou a declaração do imposto de renda. É nesses momentos que você deve analisar a situação e não havendo sinal de melhoras, sair do negócio imediatamente.

Há um ditado que diz: “Quem espera sempre alcança”. Isso não funciona bem com especuladores. Quanto mais tempo você demorar para sair, mais emocionalmente envolvido você vai ficar, e mais terá receio de deixar parte de seu capital e de assumir que errou ao escolher este negócio. Lembra dos obstáculos 2 e 3?

Aceite as pequenas perdas como uma escolha que não deu certo e parta para outra. Não fique sentado, rezando em um barco que está afundando.

O 4º Grande Axioma: Das Previsões
O comportamento do ser humano não é previsível.
Desconfie de quem afirmar que conhece uma nesga que seja do futuro.

Por que nos prestamos a ficar ouvindo os profetas da economia sobre o amanhã se eles sabem sobre o futuro tanto quanto você e eu? É só porque esse é um dos mais ambicionados desejos do homem. É lógico que se você pudesse ver hoje a cotação das ações para amanhã seria um homem rico. Mas não pode. Ninguém pode.

Na grande maioria das vezes ouvir estas previsões são um erro. Para se tornar um bom especulador a primeira coisa que precisa fazer é largar o vício de ouvir previsões. É de extrema importância não levar qualquer tipo de oráculo financeiro a sério.

É claro que às vezes eles estarão certos, mas se você comparar o índice de acerto com o total de “previsões” você ficará com a impressão que você teria feito melhor se jogasse dados para fazer suas escolhas.

Há uma regra que diz: “Se não pode prever certo, preveja muito”.

São esses acertos exporádicos que tornam os oráculos perigosos, principalmente quando preveem queda ou prejuízos. É que nosso cérebro dá um foco maior às informações ruins e se alguém diz que uma ação que hoje vale R$ 100 vai cair a R$ 30, você fica com aquilo na cabeça. Você se lembrará disso no dia que ela realmente cair a R$ 30, se cair, mesmo que tenham se passado 5 anos desde a previsão.

Normalmente, lá pelo meio do terceiro trimestre já se começam as especulações para o primeiro timestre do próximo ano. Os oráculos divulgam suas previsões e todas muito parecidas com a do outro colega. Acontece que até outubro o cenário se modifica e os oráculos fazem uma revisão das previsões. O cenário novamente se modifica em dezembro e uma nova revisão é feita. E assim por diante, sempre fazendo a revisão da revisão.

O que os oráculos fazem é produzir previsões frequentes e torcer para que ninguém as examine com muito cuidado, já que uma previsão correta pode ser anulada por centenas erradas.

O que acontece às vezes é que, com alguns palpites corretos um oráculo consiga atrair uma legião de seguidores tão grande que suas “profecias” acabam se concretizando. Isso aconteceu em 1981, quando todos baseavam seus investimentos nos palpites de Joseph Granville. Tanta gente ouvia seus palpites que quando ele dizia que o mercado iria entrar em baixa isso assustava os compradores, que desapareciam, e o mercado despencava.

Então ele era um “profeta”? Não, não era. Isso aconteceu 2 ou 3 vezes, no máximo. E no fim todos entenderam que ele não era melhor nem pior que ninguém, algumas vezes acerta e outras erra.

É claro que é muito fácil ficar sentado, hoje, apontando os erros de outras pessoas no passado. Alguns desses profetas poderiam se irritar e nos questionar, com toda a razão, se poderíamos fazer melhor. Não poderíamos, pois não somos profetas e nunca dissemos que podemos ver além. Mas estes oráculos se dizem capazes disso, ganham por isso, vendem “boletins de profecias” e influenciam pessoas com suas previsões. Este é o ponto.

Prever o comportamento humano é bem mais complexo do que prever eventos físicos, como a que horas o sol via nascer, quais as fases da lua ou mesmo como estará o tempo amanhã. O ponto mais delicado do comportamento humano é que ele é baseado em emoções, especialmente quando se trata de dinheiro.

São as pessoas, que ao viajarem para um fim de semana prolongado, fazem o mercado de ações cair, pois não estão nos seus escritórios para movimentar o mercado. Da mesma forma, são as pessoas que fazem a inflação e o índice de construção civil. Tudo depende da forma como as pessoas vão reagir diantes de determinados eventos, como por exemplo um aumento de preço.

O que este axioma tenta lhe mostrar é que você não deve acreditar em oráculos financeiros, pois sempre haverão palpites certos e errados. Logo, dependerá de sua sorte, escolher os palpites certos e descartar os ruins. Se isso acontecer, você se dará muito bem.

Mas se é para depender, no fim das contas, do seu próprio palpite, por que razão você deveria escutar tais oráculos?

O 5º Grande Axioma: Dos Padrões
Até começar a aparecer ordem, o caos não é perigoso.

No momento em que você começa a acrecitar ter enxergado um padrão de ordem nos assuntos que envolvem seres humanos, especialmente os financeiros, você está correndo riscos.

O mundo financeiro, por envolver emoções, é um verdadeiro caos e sem nenhum padrão de comportamento. Às vezes parecem surgir alguns padrões ou desenhos, mas é como acontece com as nuvens no céu ou a espuma do mar que quebra na praia. Não possuem uma base sólida que os justifiquem.

Esses padrões e desenhos são atraentes para os especuladores inexperientes, que acreditam terem descoberto a fórmula do sucesso financeiro. O especular esperto, por outro lado, sabe do que se trata e não se deixa influenciar.

Este é um dos axiomas mais importantes e ao absorvê-lo, somente ele, já lhe dará um enorme diferencial em relação aos outros especuladores, os perdedores cheios de esperanças vãs.

Muitas pessoas preferem investir em fundos de investimento por contarem com uma equipe de analistas financeiros, que administram a carteira e decidem o que e quando comprar. As pessoas também acham que os analistas conhecem o “caminho” para a lucratividade.

Repare bem nos analistas financeiros, com seus ternos de ótimo caimento, seus manuais de teoria financeira, seus inúmeros assistentes e seus utlramodenos softwares e computadores. Sem falar nas suas excelentes qualificações universitárias.Você não acha que se houvessem uma fórmula certeira para se especular no mercado financeiro eles já não a teriam descoberto? Sim, e como sempre tiveram esse perfil, provavelmente já o teriam feito a muito tempo atrás.

O fato é que até hoje esta fórmula não foi descoberta.

Os fundos de investimento, são uma forma de especulação como outra qualquer. Não é diferente de um especulador solitário que com sua calculadora resolve que deve comprar prata ao invés de dólar. Os riscos envolvidos ao se aplicar em fundo de ações são os mesmos de se comprar ações isoladamente, não se engane nesse aspecto.

Todo ano algum fundo subirá mais que média, outros cairão mais devagar, alguns administradores serão mais felizes em suas escolhas. Mas quais?! Nunca podemos saber. Só saberemos quando eles aparecerem em uma reportagem da revista Você S/A, mas aí já será tarde demais.

Logo, voltamos à estaca zero.

Quando especular com aplicações em fundos espere o mesmo caos que existe quando se comprar dólar, ouro, imóveis ou ações. Esteja sempre na defensiva quando receber conselhos financeiros, especialmente de “especialistas” ou de pessoas “entendidas”, como o seu gerente.

Normalmente, estes conselhos possuem uma aparência reconfortante e cheia de promessas. Normalmente possuem uma ilusão de ordem que nos deixa mais tranquilos. Encare com ceticismo estes conselhos, pois jamais o seu gerente vai lhe dizer que ele no caos, que jamais conseguiu entender direito a coisa, e que sabe que nunca entenderá.

O que a maioria dos administradores de fundo ignoram ou não adimitem é o grande papel que a sorte têm em seus resultados. Eles não são melhores que eu nem você, e escolhem 10 opções entre 50 possíveis por exemplo, para compor uma carteira. A chance deles é de 20%, assim como a sua se estivesse na mesma situação.

Mas não é assim que isso é apresentado. É lhe passada uma ilusão de ordem, uma ilusão onde o administrador do fundo parece conhecer o caminho, ter a receita.

5º Axioma Menor
Cuidado com a armadilha do historiador.

Esta armadilha é um tipo especial de ilusão de ordem e se baseia na repetição da história. Suponha que no passado, tenha havido um evento A, sucedido por um evento B. Após alguns anos, o envento A se repete e automaticamente pensamos: Aí vem o evento B.

Mas quase sempre não é o que acontece. Na verdade, são raras as vezes que acontece.

Mas também é verdade que quase sempre a armadilha do historiador está envolvida em assuntos não muito graves, que não trazem nenhuma repercussão negativa. Por exemplo: Este time nunca perdeu em casa, com o time reserva, jogando com o uniforme 2 em um dia de sol. Ou então: Este time nunca venceu de virada estando perdendo por 3×0.

Nos casos apresentandos, as situações são cômicas e estão dramatizadas, mas imagino que você tenha entendido o espírito da coisa. Note também a impossibilidade dos fatos apresentados acontecer várias vezes. Será que é normal o tal time sempre tomar de 3×0? Talvez seja a primeira o segunda vez que isso esteja ocorrendo, o que dará uma perfeita ilusão de ordem.

Agora, quando for arrsicar o seu dinheiro tenha muito cuidado com esta armadilha. Muito mesmo, ou você poderá acabar quebrado.

Uma ilusão deste tipo, comun no Brasil, é que quando a bolsa sobe o dólar cai. E vice-versa. Pode até ser, por hora, pois grande parte do capital da bolsa de valores está vindo de fora. Mas a Bovespa tem feito várias ações no sentido de popularizar o investimento em ações para pequenos investidores aqui.

Digamos que eles obtenham êxito e que o capital estrangeiro não tenha mais um peso tão significativo na bolsa de valores. Prevendo uma queda da bolsa você compra dólares e espera. A bolsa despenca, o dólar continua na mesma, e você fica esperando.

Neste exemplo simplório temos apenas uma variável envolvida, que é a relação entre o dólar e o volume dos negócios. Imagine agora quantas variáveis não existem no dia-a-dia?

6º Axioma Menor
Cuidado com a ilusão do Grafista.

Esta é uma extensão da armadilha do historiador. Os analistas financeiros tendem a traduzir a cotação das ações em linhas pontilhadas em um papel milimetrado. Ou, mais atualmente, em programas de computador.

Usando um jargão próprio, procuram por altas seguidas de bruscas quedas, entre outros, para identificar um padrão uniforme da variação do preço.

Mais ou menos na metade das vezes dá certo. Na outra metade não. Igualzinho a qualquer outra técnica.

É como fazer gráfico das espumas do mar. Por mais que você reveja um mesmo desenho ele não prediz nada.

Tenha também um cuidado especial ao analizar o gráfico com os resultados de fundos de investimento. Eles podem mostrar um cenário melhor do que o de fato ocorreu. Um fundo que fechou 2006 com lucro de 20% pode ter passado 10 meses negativo.

7º Axioma Menor
Cuidado com a ilusão de Correlação e a ilusão Causalidade.

Existe uma piada sobre um sujeito que ficava todos os dias na mesma esquina, acenando os braços e emitindo gritos estranhos. Um dia um guarda se aproximou e perguntou o que ele estava fazendo:
– Estou mantendo as girafas longe – disse o sujeito.
– Mas nunca aparecem girafas por aqui – retruca o guarda.
– Pois é, tenho feito um bom trabalho, não tenho?

Esse tipo de coisa acontece devido ao fato que nossa mente não se sente à vontade no caos, está sempre em busca de ordem. Nossa mente é capaz de recorrer ao mundo das fantasias, se for o caso, só para nos deixar mais confortáveis.

Alguns especuladores tentam encontrar ordem em eventos que ocorrem juntos ou em gangorra. Exemplo: Sempre que as ações da Telemar sobe a da TIM cai. Ou ainda: Sempre que a bolsa sobe o ouro cai.

A não ser que haja um forte motivo(e normalmente não há) encare com ceticismo estas relações e compreenda que isso deve-se apenas ao acaso, à sorte, e não aposte seu dinheiro nisso. Lembre-se que você está lidando com o caos.

Nos EUA há um fato peculiar registrado em Wall Street: o índice do jogo. O mercado sempre sobe quando a finalíssima é ganha por uma equipe da Liga Nacional de Futebol. Para que você entenda, nos EUA há duas ligas e o campeão de cada uma disputa a final.

Você acha que tem motivos suficientes para colocar seu dinheiro no mercado no seguinte à final só porque o time da Liga venceu? Não faça isso. Se você basear suas especulações em fatos assim poderá acabar quebrado.

O grande problema é que quando você começa a enxergar essas relações(e não é preciso muito esforço para se iludir) você começa a encontrar explicações “lógicas”, que geram outros padrões até que no fim você tem um cenário todo ordenado, explicado e “sob controle”. Isso te levará a “agir” pois você tem o “domínio” da situação.

Quando isso acontecer lembre-se que o caos não é perigoso até começar a aparecer ordem e ignore. Procure motivos reais para usa especulação.

8º Axioma Menor
Cuidado com a falácia do jogador.

Quando um jogador da loteria diz: “Hoje é meu dia de sorte”, ele está tentando criar um estado de expectativa que será o pretexto arriscar o seu dinheiro com menos prudência que o normal. Ele, muito provalvelmente, irá se arrepender.

Um jogador busca, ao dizer que está “quente”, que se encontra em um período onde os eventos aleatórios serão influenciados ao seu favor. Período no qual as roletas e os caça-níqueis serão suas escravas.

Isso acontece em qualquer lugar onde se aposte dinheiro, mas não passa de mera tolice.

Todos nós em algum momento já nos sentimos “quentes” e se voltarmos aos passados lembraremos de inúmeras histórias que comprovam o nosso dia de sorte. Um dia em que ao jogar Banco Imobiliário ou War os dados foram nossos amigos.

Mas se você se esforçar um pouco mais também se lembrará dos dias que era melhor ter ficado em casa. Um dia em que os dados foram amigos de outro.

E se você se esforçar só mais um pouquinho perceberá que a vida é assim. Um dia as coisas dão certo e outro não. Mas não há um padrão de ordem nisso.

Se você começar a jogar uma moeda para cima não custará se deparar com uma sequência de caras ou coroas. Acontece que não há um padrão nisso, pois você não pode dizer quando começará e nem até quando se repetirá após ter começado.

A mesma coisa acontece com roletas, cavalos ou qualquer coisa que envolva dinheiro. Se jogar durante um longo tempo terá períodos de perda e ganho, pode apostar.

O que não dá para apostar é quando os períodos de fartura começarão ou terminarão. Só o acaso pode dizer.

O que você deve fazer ao tentar tirar proveito de seus dias de sorte é lembrar-se do segundo axioma: Pare sempre cedo demais.

Procure pequenos ganhos regulares ao invés de um ganho gigantesco de uma só vez. E no dia que estiver sem sorte, tente limitar suas perdas usando o terceiro axioma: Quando o barco começar a afundar, saia fora.

Não caia na armadilha de se sentir invencível, nem por um segundo.

O 6º Grande Axioma: Da Mobilidade
Evite criar raízes. Tolhem seus movimentos.

Sob muitos aspectos é importantes que você tenha raízes. Você fica com a sensação de estar em um lugar conhecido, entre velhos amigos ou entre bons vizinhos. Sente até um calor no coração.

Mas se você permitir que isso influencie em sua vida financeira, não terá muito sucesso. Provavelmente nenhum.

9º Axioma Menor
Numa operação que não deu certo, não se deixe
apanhar por sentimentos como lealdade ou saudade.

O autor conta aqui a história da Sra. Shattuck: Ela e o marido viviam em uma casa há muitos anos. A casa estava quitada e os filhos já tinham tomado um rumo na vida.

Uma amiga do casal sugeriu que vendessem a casa para conseguir um bom dinheiro e garantir uma velhice mais confortável. Afinal, a rua deles estava dando sinal de decadência.

Acontece, para encurtar a história, que influenciados por outros moradores, amigos e pelo próprio sentimento de que viveram ali a vida inteira decidiram não vender. E em poucos anos o valor dos imóveis caíram violentamente e quando quiseram vender já não havia ninguém interessado em pagar um valor decente.

Outra história narrada é a de um homem que trabalhava em uma indústria e durante os anos acumulara uma grande quantidade de ações ordinárias e preferenciais da empresa.

Houve um tempo que as ações prosperaram, mas na época iam de mal a pior. A empresa enfrentava a forte concorrência de produtos japoneses que além da qualidade superior tinham um preço menor.

Este homem tinha dados concretos que as coisas não iam bem. Ele vivia isso todos os dias, mas não conseguia vender suas ações.

Não conseguia pois mantinha sentimentos de lealdade à empresa, que eram nutridos por discursos do presidente de que “só os ratos abandonam o navio”.

Outra coisa que o deixava desconfortável era vender suas ações e vê-las para na mão de colegas (e do presidente) que estavam sempre comprando para demonstrar que acreditavam na empresa. Parecia injusto passar a “bomba” para eles.

No fim, tanto ele quanto o presidente acabaram com uma carteira que não valia muita coisa. Anos mais tarde o presidente era presidente de outra empresa e estava com a vida ajustada novamente. Já o pobre operário…

Há momentos em que você terá de escolher entre dinheiro ou raízes. Se o seu objetivo é realmente ganhar dinheiro, não se deixe prender a coisas onde o seu dinheiro está investido. Prenda-se a pessoas, nunca a uma empresa, um imóvel ou algo parecido.

10º Axioma Menor
Jamais hesite em sair de um negócio se algo
mais atraente aparecer à sua frente.

Uma das várias maneiras de deitar raízes é embarcar numa situação que você não sabe se está ali por numa especulação ou hobby.

Suponhamos que você tenha uma coleção de quadros e que ao longo do tempo tenha alcançado seu objetivo de dobrar o capital. Como já vimos em outro axioma, você deveria vender “cedo demais” e embolsar o lucro.

Acontece que você não consegue fazê-lo, pois se apegou demais. Está envolvido emocionalmente, afinal, os quadros “são parte importante da história” e você “deu um duro danado para achá-los e comprá-los”.

O pior é que, normalmente, você não consegue vendê-los mesmo vendo que há uma possibilidade de comprar um imóvel na sua rua por um valor abaixo do mercado e obter um bom lucro. Ou você deixa de apostar no seu palpite sobre o ouro pois o seu único capital não está disponível.

Você precisa decidir se é ou não um especulador! Se você decidir que é um colecionador de quadros (hobby), ótimo. Agora, se você decidir que está especulando(e isso significa ter lucro) venda.

Não se apegue a coisas materias. Somente a pessoas.

Outra maneira comum de criar raízes é se deixar prender em uma situação onde você fica esperando que algo dê resultados. E você pode ficar preso nessa espera por vários anos enquanto outras oportunidades estão passando à sua frente.

Suponha que você tenha comprado R$10.000,00 em ações da empresa A e que pense em realizar o lucro quando as ações valerem R$ 12.000,00.

Você possui essas ações há alguns anos e o preço está na mesma, não sobe nem desce. Enquanto isso, você acha que para o próximo semestre as ações da empresa B podem ser uma boa chance de lucro.

É um erro achar que você deve “esperar o seu lucro” com um determindado investimento. É um erro achar que a especulação te deve algo ou que você deve algo para a especulação. As ações não te devem lucro assim como você não deve mais um tempo para elas.

Além do mais, se você chegar aos R$ 12.000,00 com qualquer ação a festa será a mesma. Então qual a razão para ficar preso a uma determinada ação?

Uma coisa que você pode estar pensando é que pode trocar da ação A para a B e a ação A disparar. Pode acontecer.

Pode acontecer também de você não trocar da ação A para ação B e a ação B disparar.

Logo, sempre há o risco de fazer a escolha errada. Logo, também, você deve desconsiderar isso nos seus cálculos, pois as opções se anulam.

O único parâmetro que você considerar para fazer ou não uma troca de investimento é: qual das opções que tenho oferece maiores perspectivas de lucro rápido?

Determine onde está suas melhores chances, e corra atrás!

O 7º Grande Axioma: Da Intuição
Só se pode confiar em um palpite que possa ser explicado.

Um palpite é um pedacinho de consciência sobre alguma coisa, mas que não chega a ser um conhecimento. Não lhe dá total segurança ou certeza.

É bem provável que você venha a ter vários palpites quando estiver especulando e que não é muito fácil aprender a usá-los, embora pareça.

Há 3 formas de lidar com os palpites:

  • Desprezo: Vários investidores ignoram totalmente sua intuição. Estão sempre em busca de fatos concretos, mesmo que sejam gráficos ou tabelas. Às vezes agem contra seu próprio patrimônio por optarem dar crédito a um boletim de notícias que receberam por e-mail;

  • Confiança indiscriminada: Outros especuladores se apoiam totalmente em seus palpites. Sentem-se orgulhosas de dizer que só confiam em si mesma mesmo que uma análise preliminar mostra que estão erradas;

  • Utilização seletiva: É o método dos Axiomas. Não se pode deixar de reconher o valor dos palpites só porque alguns não valem nada. É preciso aprender a separar um do outro.

Para tirar proveito dos seus palpites você precisa entender o que são e de onde vêm. Precisa entender que eles são fragmentos de informações que estão jogadas em algum canto do seu cérebro.

Isso acontece porque no decorrer do dia, você é bombardeado com inúmeras informações. Mais informações do que você é capaz de armazenar de forma consciente.

O fato de você ter um palpite sobre comprar um terreno em uma determinada área da cidade hoje, pode estar relacionado com um artigo de jornal que você leu 3 anos atrás e não deu a devida importância. E talvez você nem se lembre que leu.

O palpite é o pedaço de um conhecimento que você não sabe que tem. Por isso você pode até ficar perturbado por achar um palpite bom e não saber explicar o motivo.

Sempre que você tiver um palpite procure analisar se você possui um arquivo vasto com informações a respeito do assunto para justificá-lo.

Caso seja um palpite sobre uma casa no litoral, pergunte-se o que você sabe a respeito. Você têm lido jornais da região? Por um acaso andou falando com alguém sobre isso nos últimos tempos?

Ah, talvez o seu primo seja morador da cidade onde você pensa em comprar a casa e, analisando friamente, você pôde avaliar que no último ano ele parece estar mais feliz de morar lá. Talvez ele tenha comentado que o novo prefeito é bom, e que o comércio vem melhorando. Etc…

É muito importante que você sujeite seus palpites a um rigoroso teste antes de seguí-lo. No exemplo acima, se você respondeu sim a todas as hipóteses, pode comprar sem medo. Seu palpite tem fundamento.

Mas se você respondeu sim a todas as hipóteses e tem um palpite sobre couro de filhote de javali manco no sul da Índia, provalmente dever ser apenas o seu cérebro fazendo artes.

Mesmo assim, não pense que encontrou em sua intuição a fórmula mágica para a riqueza, pois vimos que ela não existe. Fique atento aos outros axiomas, sempre.

11º Axioma Menor
Jamais confunda palpite com esperança.

É muito fácil acreditarmos que alguma coisa vai acontecer só pelo motivo de que desejamos. Nem sempre é assim.

Se algum dia, mesmo após ter seguido o seu palpite, perceber que não fez a coisa certa caia fora. Não fique parado torcendo para as coisas mudarem.

Talvez, em um primeiro momento, você tenha achado que as ações de uma empresa iriam bombar e comprou baseado em um palpite bem fundamentado.

Daí as coisas não sairam como planejado e o preço despencou. Não se deixe apanhar pensando: “Como assim? eles são os melhores do Brasil. Fazem os produtos mais bonitos, mais gostosos e vão passar a receber tantos pedidos que haverá fila. Eles vão dar a volta por cima!”.

Neste caso você está com esperança. E já vimos o que fazer quando as coiss não vão bem.

O 8º Grande Axioma: Da Religião e do Ocultismo
É improvável que entre os desígnios de Deus
para o universo se inclua o de fazer você ficar rico.

Os axiomas não têm uma opinião sobre a existência (ou não) de Deus, forças sobrenaturais ou qualquer outro Ser superior, mas são enfáticos ao dizer que apoiar-se em crenças ou no sobrenatural possuem o mesmo efeito que acreditar em previsões ou em em ilusões de ordem. Podem te levar à falência.

No livro, o autor conta a história de um pastor que comprou o terreno de um fiel que estava se mudando e precisava vender o terreno rapidamente. Era um terreno grande, com valor bem baixo.

O pastor pensou que era a chance de conseguir algum dinheiro para sua paróquea loteando e vendendo partes do terreno. O pastor pensava que Deus havia antendido suas preces.

O problema é que após comprar o terreno e tentar a licença junto à prefeitura descobriu-se que o terreno estava sobre um pântano, e que apenas com um investimento milionário em um sistema de drenagem seria possível construir algo ali.

Este pastor, assim como várias pessoas, acreditava ser um privilegiado beneficário de uma apólice celestial de seguro do tipo: “Deus me ajudará”.

Tenha em mente que o seu saldo bancário é problema só seu.

Também há a história de Jesse Livermore, um jovem especulador de Boston que após um sucesso repentino foi operar em Wall Street.

Seu sucesso continuou e após golpes especulativos geniais(e de muita sorte) ficou bastante famoso. Por apostar em operações arriscadas e que iam contra o consenso, começaram a criar uma aura de clarividência e mediunidade para ele.

E ele, apesar de não aceitar, também não rejeitou este rótulo. De certa forma começou a basear suas operações em algo mais que os seus palpites. Começou a pensar que era invensível.

Sua demonstração de “vidência” chegou ao grau máximo no dia em que ordenou vender milhares de dólares em ações a descoberto da empresa ferroviária Union Pacific. Para quem não conhece o termo, venda a descoberto significa vender uma ação que você não tem, no preço de hoje, e recomprá-la outro dia a um preço menor, lucrando com a diferença.

Passados 2 dias deste episódio um terremoto assolou Los Angeles e engoliu milhões de dólares em trilhos e locomotivas. As ações despencaram e Jesse ganhou muito dinheiro.

O problema que ao invés de se dar conta da grande sorte que tinha dado, começou a acreditar cegamente em sua “vidência”.

Se analisarmos friamente veremos que foi muita sorte, e que ele, muito provavelmente, não foi o único que tinha vendido essas ações a descoberto. Não foi o único a lucrar nessa operação. Por que razão ele se achava tão especial e privilegiado?

Bom, no fim, anos à frente, Jesse se suicidou, falido, em um banheiro de hotel.

12º Axioma Menor
Se astrologia funcionasse, todos os
astrólgos seriam ricos.

Este axioma não trata apenas da astrologia em particular. Ele trata também do Tarô, horóscopo ou qualquer outra doutrina mística ou sobrenatural. Caso você acredite ou pratique, foque-se nos benefícios que elas podem fazer pelo seu espírito ou sua paz interior. Não espere benefícios financeiros.

Preste a si mesmo um favor: analise os praticantes destas doutrinas e veja se são mais ricos que qualquer outro grupo escolhido ao acaso. Você verá que não são!

Se quiser, tente também examinar os líderes, gurus e sacerdotes. Eles são ricos?

Você verá que alguns são ricos, outros pobres e a maioria ficará no meio termo. E não se deixe iludir quando aparecer alguém tentanto contar a história de um golpe de sorte. Provavelmente será um fato isolado, que poderia ter acontecido com qualquer um, assim como vimos no 4º Grande Axioma, em relação aos profetas e gurus financeiros.

O autor, que era adepto do tarô apenas para animar festas chatas e divertir as pessoas, conta sobre um almoço que teve com um mestre do tarô, que sustentava que o tarô era um ótimo meio para se alcançar objetivos financeiros.

No fim das contas, o autor acabou pagando a conta e ainda tendo que emprestar US$ 5,00 para o mestre pegar um taxi pois ele estava com “um pequeno problema de caixa”.

Ele considerou os US$ 5,00 como despesas com educação e nunca mais pegou em um baralho de tarô nem para animar festas.

13º Axioma Menor
Não é necessário exorcizar uma superstição.
Podemos curtí-la desde que ela conheça o seu lugar.

Todos nós temos pequenos vícios, manias e superstições. Não devemos nos sentir culpados nem tentar fazer algum tratamento para nos livrarmos delas.

Se você não gosta de pisar na rua com o pé esquerdo, não gosta e pronto. De certa forma, você pode até considerar essas pequenas manias como um bichinho de estimação.

Para cultivar uma superstição saudável, você deve deixa-la atuar em situações onde não tenha nenhuma análise envolvida, como por exemplo na loteria.

Por mais que você pense ou veja o histórico dos números sorteados nos últimos 500 jogos você não conseguirá vantagem alguma sobre mim, que normalmente peço para máquina gerar números aleatórios.

Nesses casos, você pode jogar sua moeda, consultar o tarô ou basear-se em sonhos. Não haverá nenhum impacto direto em suas finanças. O mesmo pode acontecer se você for jogar na roleta.

Mas se algum dia você se basear em sonhos para fazer qualquer especulação, estará dando um grande passo para a falência.

O 9º Grande Axioma: Do Otimismo e do Pessimismo
Otimismo significa esperar o melhor, mas confiança
significa saber como se lidará com o pior. Jamais faça
uma jogada por otimismo apenas.

O otimismo sempre foi considerado uma boa característica nas pessoas. O esteriótipo de um otimista é um sujeito alegre, animado e sempre disposto a ajudar nos momentos difíceis. Em termos financeiros o otimismo pode ser muito perigoso. Tomemos como exemplo uma mesa de pôquer.

Um jogador profissional, ao se deparar com uma mão ruim, onde a probabilidade está contra ele, simplesmente passa, desiste da rodada, mesmo que isso signifique deixar para trás algum dinheiro já apostado.

Os amadores, por outro lado, são otimistas, e por causa disso pensam coisa do tipo: “Posso dar uma sorte”, “Eles podem estar blefando”, “Talvez saia a carta que eu preciso”.

Normalmente os amadores, e otimistas, perdem.

O que os profissionais têm se chama confiança, que surge do uso construtivo do pessimismo.

A confiança vem da premissa de que as coisas podem dar errado, e também de que quando as coisas parecem ruins normalmente são. Com base nisso, os profissionais podem traçar planos de atuação para o caso de as coisas não sairem da forma como planejaram.

Você precisa perceber que o fato de se precaver não significa sair do seu foco ou duvidar da sua capacidade.

Suponhamos que você planeje uma viagem, de carro, de São Paulo ao Rio de Janeiro para passar um fim de semana. Como otimista você pegaria o carro e partiria, sem colocar gasolina ou reservar hotel. Afinal são apenas 400 km, há vários postos pelo caminho e a cidade tem vários hotéis.

A atitude correta nesse caso seria encher o tanque, reservar o hotel, verificar o estepe e se certificar que o cartão da seguradora está no porta-luvas. Pronto, agora você pode ficar confiante que terá um ótimo fim de semana, pois sabe quais são suas proteções caso fure um pneu ou bata o carro. As possibilidades estão ao seu favor agora.

Ainda assim, pode chover. E muito.

O otimismo é uma sensação boa. Bem melhor que o pessimismo, com certeza. É por isso que você deve tomar cuidado com esta sensação.

É claro que o fato de você comprar uma ação, é uma demonstração de otimismo em relação a ela, mas você deve sempre ser pessimista e pensar no que fazer caso as coisas saiam errado. Esse é o paradoxo: você deve ser otimista para entrar uma jogada, mas deve sempre estar preparado para o pior.

O autor também diz para você ter cuidado ao ler colunas sobre o mercado financeiro no jornal por duas razões: A primeria, como já vimos, é que ninguém pode prever o futuro. A segunda, é que todos os analistas são invariavelmente otimistas.

Na verdade, os editores e nós esperamos que a previsão dos analistas sejam otimistas. Você gostaria de ler um jornal que só fala de mortes, acidentes e tragédias? Não. Então por que razão você leria um jornal financeiro que só fala em quedas e prejuízos? O otimismo é mais vendável e agradável.

O que autor recomenda é que você, ao sentir a gostosa sensação do otimismo, pare e busque fatos que realmente justificam aquela sensação. Procure uma explicação plausíel para se sentir otimista.

Uma sugestão minha, é que você tente completar a frase: “Eu estou otimista em relação aos resultados sobre ________________, pois __________________”.

Se você não tiver boas razões para o otimismo, esqueça.

O 10º Grande Axioma: Do Consenso
Fuja da opinião da maioria.
Provavelmente está errada.

O autor sugere que você aja como René Descartes, um filósofo francês. Descartes era tão cético, mas tão cético, que duvidava da sua própria existência. Ele só deixou de pensar que era um fantasma quando chegou à conclusão que: “Penso, logo existo”.

Descartes rejeitava qualquer afirmação até que tivesse pensado e concluído de sua prória cabeça, por seus próprios meios. Ele gostava descobrir falácias e verdades por conta própria e se recusava a aceitar a opinião da maioria simplesmente por ser a opinião da maioria.

Segundo ele era inútil “contar os votos” pois, em qualquer situação difícil, é mais provável que a verdade seja descoberta por uns poucos e não por muitos.

Já vimos que você precisa ter cuidado ao ouvir os conselhos de banqueiros, especialistas, acessores e agora você precisa passar a ter cuidado com a opinião da maioria.

A maioria diz que você deve diversificar sua carteira. Nós já vimos que isso não deixa ninguém rico. A maioria também diz que você só deve arriscar o que se pode perder. Isso também foi desmitificado aqui.

A maioria das pessoas acredita nesses antigos clichês que são repassados pela maioria em qualquer conversa sobre investimentos. Logo, a maioria das pessoas não são ricas.

14º Axioma Menor
Jamais embarque na especulação da moda.
Com frequência, a melhor hora de se comprar
alguma coisa é quando ninguém quer.

É fato, e você precisará aprender a lidar com isso, que a opnião da maioria é pertubadora principalmente quando se trata de investimento e você está indo na contramão do concenso.

Todos nós sabemos que o melhor momento para se comprar algo é quando ninguém quer, quando o preço está baixo. Consequentemente sabemos também que o melhor momento de vender algo é quando todos estão gritando “eu quero”, e o preço sobe.

Este é um conceito simples que qualquer criança recém nascida irá desenvolver sem que alguém a ensine. Isso é instintivo.

O que não é instintivo e precisa ser aprimorado é lidar com o fato de você tomar uma decisão que vai contra o concenso. O ser humano tem uma necessidade de aceitação instrínseca, o que nos leva a fazer o outros fazem para sermos “iguais” e sermos aceitos.

Mas em termos financeiros isso é um desastre, pois se todos querem comprar, quem vai vender? Provavelmente algum “trouxa” que está indo contra o consenso.

O mesmo para o contrário: Se todos nós quiséssemos vender, quem compraria? Provavelmente também algum “trouxa” que não ouviu os conselhos de sua mãe. Justamente por ser o único “trouxa” querendo comprar, ele vai poder escolher entre as várias ofertas e poderá pagar o menor preço!

Entendeu como funciona a dinâmica da formação de preços? Quando a maioria quer algo, o preço sobe. Quando a maioria não quer algo, o preço cai. O que você deve fazer é estar sempre contra a maioria, vendendo caro ou comprando barato. Simples assim!

Você precisará aprender a lidar com seus conflitos internos seu quiser ter sucesso como especulador. O próprio autor reconhece a pressão esmagadora que a opnião da maioria exerce sobre todos, afinal, ela está nos jornais, na televisão, na internet, etc.

Um coisa que acho que pode ajudar, é você se basear no Grande Axioma anterior e procurar algo que lhe deixe confiante ao tomar uma posição contra a maioria. Procure pontos concretos e que lhe deem subsídio para que você possa tomar o caminho contrário.

Uma outra coisa que eu penso que pode ser útil, é não expor a sua opinião contra a da maioria. Isso pode ser útil se você considerar que será atacado e precisará encontrar argumentos convincentes para se defender. Pode ser uma motivação.

Mas pode ser a ruína caso você não se saia bem, e tenha que lidar todos os dias com as opiniões contrárias dos seus colegas de trabalho, amigos ou familiares.

Mas aqui vai uma dica importante: Você não deve se tornar um paranóico compulsivo que sempre vai contra a maioria. Não, nem eu nem o autor estamos nos contradizendo.

Caso você vire uma pessoa “do contra”, acabará com uma grandiosa ilusão de ordem, assunto que já vimos anteriormente. Ou você já estava achando que era só ligar uma chave e começar fazer as coisas ao contrário? Não é tão simples assim e não existe fórmula mágica, lembre-se.

O que este axioma defende é que você não deve aceitar a opinião da maioria pelo simples fato de ser a opinião da maioria. Você deve criticar e pensar com sua própria cabeça. Talvez você conclua que a maioria está com a razão. Ou não.

O 11º Grande Axioma: Da Teimosia
Se não deu certo da primeira vez, esqueça.

A perseverança, assim como o otimismo, sempre teve muitas críticas favoráveis. É o que ouvimos por aí: “Se não der certo na primeira vez, tente de novo”.

No campo dos investimentos e especulações não é bem assim que as coisas funcionam. A persistência pode trazer resultados diferentes do esperado.

O autor cita o exemplo de uma mulher de meia idade que resolveu comprar ações da empresa de magazine Sears, pois a empresa tinha uma política social muito boa e havia ajudado bastante a universidade onde ela trabalhara durante quase toda a sua vida.

Acontece que as ações não lhe retribuiram a gentileza e nos 12 meses seguintes tiveram uma baixa em torno de 15% a 20%. Bem orientada ela abandonou o barco e assumiu esta pequena perda.

O problema é que ela passou a vigiar a ação, dia após dia, e sempre que o preço subia ela se sentia frustrada, traída. Movida por este sentimento ela comprava o papel em picos de preço, que depois caíam. Daí ela vendia. E depois subiam. E ela comprava…

Ela seguiu nesta teimosia, nesta caça e viveu numa gangorra durante alguns anos, até no fim, por pura sorte, conseguir obter algum lucro numa época em que os preços subiram consistentemente.

Neste caso, no geral, ela ainda saiu com um lucro, mas será que valeu à pena? Quantas outras oportunidades ela não poderia ter escolhido friamente e que talvez lhe dessem em 1 ano o que ela levou quase uma década para conseguir?

Por que razão tomar decisões baseadas em critérios emocionais ao invés de utilizar critérios bem definidos e objetivos?

Caso você fique obcecado em obter lucro com um determinado papel, poderá ter que esperar muito até o dia chegar. Se chegar.

Como vimos no axioma da esperança, a melhor coisa a fazer é desistir do negócio e procurar algo melhor. Você só precisa decidir que quer ficar rico. Ou talvez decidir que quer ficar rico com imóveis, no máximo.

Você não precisa ser específico ao ponto de se decidir que quer ficar rico, com imóveis, no morumbi, e no máximo a 5 minutos do palácio do governo. Também não precisa enfiar na cabeça que quer ganhar dinheiro com ações da Petrobrás ou da Vale do Rio Doce. Isso tudo, além de ser besteria, lhe impede de enxergar outras grandes oportunidades.

Você deve entender que um ganho é sempre um ganho, não importa de onde vem. É irracional personificar uma ação ou uma barra de ouro e achar que estes investimentos lhe devem algo. Como poderiam?

Normalmente, este sentimento de “vingança” vem da necessidade de mostrar que você “estava certo” e que “ninguém te faz de bobo”. Mesmo que após 10 anos você tenha obtido um lucro de apenas 10%, fora o estresse.

Sem falar que você não pode provar nada para uma ação ou um punhado de ouro. Eles são inanimados e, acredite em mim, não está conspirando contra você. Não os fique perseguindo por achar que não foram com a sua cara. Simplesmente procure algo mais promissor e saia fora.

Pare de dar murro em ponta de faca!

15º Axioma Menor
Jamais tente salvar um investimento fazendo “preço médio”

Este é mais um dos clichês do mercado. Juntamente com apostar o que se pode perder e com a diversificação. Mesmo o seu vizinho, que nunca fez nenhum tipo de investimento é capaz de lhe dar este conselho.

Para que não conhece (duvido que alguém nunca tenha recebido este conselho), funciona assim: Suponhamos que você comprou 10 ações a R$ 10,00 cada uma, gastando R$ 100,00 na operação.

Meses depois esta ação cai para R$ 5,00. O que você seria aconselhado pelo seu vizinho a fazer? Comprar mais 10 ações a R$ 5,00, assim, você teria gasto R$ 150,00 para ter 20 ações, obtendo um preço médio de R$ 7,50 para cada uma.

O “bom” do preço médio é que você “só” teria que esperar a ação voltar a R$ 7,50 e não mais R$ 10,00 para “empatar”. Isso é o que diz o seu vizinho e os acessores de investimento.

Mas há, no mínimo, 2 problemas:

  1. Você aplica o seu dinheiro para ganhar, não para empatar. Logo, o máximo que você vai conseguir, se funcionar, é ficar na mesma situação que está hoje.

  2. Se o preço de uma ação caiu 50% como no exemplo, talvez hajam razões sólidas que justifiquem o desânimo do mercado em relação à ela. E você, sem tentar saber, vai comprar mais?

Conforme vimos em um axioma anterior, você pode ser dar bem indo contra a maioria, é verdade. Desde que você se baseie em fatos concretos e conclua que R$ 5,00 é uma pechincha, e que não se trata de um devaneio seu, tudo bem, pode comprar. Mas então por que raios você comprou quando estava a R$ 10,00? Talvez você tenha sido afoito e devesse ter comprado a no máximo R$ 8,00? Pense nisso.

O que você precisa fazer, quando decidir comprar mais de algo, é se perguntar se você compraria mais daquilo se já não tivesse um pouco daquilo antes. Se você concluir que não, não compre e pense seriamente em vender o que você já tem.

O 12º Grande Axioma: Do Planejamento
Planejamentos a longo prazo geram a perigosa crença de que
o futuro está sob controle. É importante jamais levar muito a
sério os seus planos a longo prazo, nem os de quem quer que seja.

As pessoas costumas comparar quem tem um “plano de longo prazo” com quem não tem. Para estas pessoas uns são as formigas e os outros as cigarras, como na fábula de Ésopo.

Caso você pergunte a qualquer um, pode ser o seu vizinho de novo, ele dirá que você deve, como as formigas, trabalhar duro no verão para ter um inverno tranquilo. Ficar cantando ao sol como as cigarras? Jamais!

Acontece que de, vez em sempre, as formigas têm o seu formigueiro destruído por um trator, e acabam tendo que trabalhar no inverno também. Já as cigarras não tem esse problema pois podem voar para qualquer lugar livremente.

Vimos alguns axiomas atrás, que não devemos criar raízes pois elas tolhem nossa mobilidade. Planejar a longo prazo é o primeiro passo para criar raízes!

No livro o autro conta a história de um casal que, nos anos 40, logo após se casarem, fizeram um planejamento a longo prazo. Para encurtar, eles planejavam ter US$ 20.000,00 para comprar uma casa e viver com uma renda de US$ 8.400,00 por ano.

Pois bem, antigamente os US$ 20.000,00 compravam duas casas e sobrava troco para um carro. Quando ficaram mais velhos mal dava para morar no subúrbio. E os US$ 700,00 que planejavam receber todo mês como aposentadoria, não paga nem um aluguel decente.

Foi o que aconteceu.

Vamos pensar em dias de hoje. Muitas pessoas querem ter R$ 1.000.000,00. Fazem as contas que se pouparem X durante Y anos conseguirão. Acontece que, na minha opinião, R$ 1.000.000,00 daqui uns 20 anos vai ser salário de motorista de ônibus. E aí? Adiantou o quê? Se hoje qualquer apartamento de 3 quartos e 2 vagas custa R$ 200.000,00. Imagine daqui a 20 anos.

Em minha opinião, é insanidade você fazer, por exemplo um plano de previdência. Umas das primeiras coisas que você precisa decidir quando vai fazer um é quanto você vai querer receber. Aí você pensa: “Eu vou querer receber, todo mês, daqui a 30 anos, R$ 4.000,00 por mês”. Bem classe média, hein?

Daí, quando os 30 anos se passarem os seus R$ 4.000,00 só dá para o metrô do mês.

Embora eu guarde parte do meu dinheiro, como se fosse uma previdência, eu não tenho ilusões quanto ao rendimento que terei no futuro. Por hora, a única coisa que faço é separar um percentual, bem pequeno por sinal, de minhas economias e dizer: “Por hora, este dinheiro ficará em transações menos arricascadas pois será o meu fundo de reserva”.

Mas isso é o máximo. Eu não tenho um compromisso com ninguém de depositar X reais por mês. É um compromisso comigo, a título de “seguro”, mas que eu posso, com um acesso à internet tranferí-lo para onde eu quiser, imediatamente.

Dia desses tive um exemplo claro de como as coisas são imprevisíveis. Eu tinha um planejamento diário, veja bem, diário, a seguir. Este planejamento incluía eu ir na casa de um amigo no fim do dia.

Eis que minha esposa me liga e diz que eu precisaria dar uma carona para uma colega dela após o expediente. Adeus visita ao amigo. Já estava bolando outras coisas para fazer quando voltasse da casa da amiga dela quando ela me liga novamente e diz que não iríamos mais dar carona e que ela precisaria de mim em casa para uns afazeres.

Olha isso! Eu não consigo acertar o que vou fazer no dia. O que dirá em 30 anos!

Sem falar que os planejamentos a longo prazo são uma tremenda ilusão de ordem. E já vimos que não existe ordem. Insistir nisso é apenas se auto-iludir.

Após criar um planejamento a longo prazo você terá a gostosa sensação de que é só esperar para curtir a vida mais na frente. Você não irá querer correr mais nenhum risco, afinal, se você tem um pássaro na mão para que dois voando?

O que você esquece é que o passáro que você tem nas mãos sabe bater as asas. E quando você relaxar, ele sairá voando imediatamente e você, destreinado pelo comodismo, não terá mais como recapturá-lo ou conseguir outro.

Um exemplo recente é o caso dos funcionários da Varig. Eles contribuíram a vida toda para um fundo de pensão que lhes garantiriam uma aposentadoria tranquila. Acontece que o fundo de pensão deles, o Aerus, está quase quebrado depois de toda aquela confusão da falência e praticamente não aguenta pagar o salário de ninguém. Coitado dos velhinhos.

O único planejamento de longo prazo que você precisa ter é a intenção de ficar rico. Só isso basta. Passe a reagir aos fatos do presente ao invés de imaginar os fatos do futuro. Quando vir uma oportunidade, corra atrás. Quando vir perigo, afaste-se.

16º Axioma Menor
Fuja de investimentos a longo prazo.

Os maiores apostadores são os “investidores” de longo prazo. Eles fazem realmente uma aposta ao tentar prever algo tão distante e intangível. Imaginação uma situação promissara e se agarram a ela com unhas e dentes.

Na opinião do autor, os valores perdidos em especulações de curto prazo, nem de longe se compara aos valores perdidos, e não percebidos, pelos “investidores” de longo prazo.

No livro é contada a história de uma mulher que trabalhou e se aposentou na Ford. Ela juntou algumas ações da empresa com o tempo e ao se aposentar vendeu um imóvel para comprar mais algumas e viver de rendimentos para o resto da vida.

Ela tinha mais ou menos umas 20.000 ações que lhe rendiam US$ 52.000 por ano, já que a Ford pagava dividendos de US$ 2,60 por ação.

Acontece que os anos foram passando, passando, e uma crise se instaurou no setor automobilístico. Embora ela tivesse sido avisada, preferiu deitar raízes, pois pensava a longo prazo.

O fato é que no ano seguinte a Ford reduziu os dividendos para US$ 1,73, derrubando a renda da senhora para US$ 34.600. No ano seguinte novamente os dividendos foram cortados, agora para US$ 0,80 por ação, o que dava US$ 16.000 por ano.

Como já aprendemos, as coisas sempre podem piorar. E foi o que aconteceu. Mais um ano se passou e desta vez a Ford resolveu não pagar dividendo algum. Naturalmente ela passou um ano difícil e precisou vender algumas ações para conseguir dinheiro.

Para encurtar a história, alguns anos mais tarde a Ford havia se recuperado e estava pagando US$ 1,20 por ação como dividendos. Além deste valor ser menos que a metade do valor inicial, ela agora possuía apenas 60% da quantidade ações que tinha anteriormente, já que ela precisou vender algumas ao longo dos anos.

A ilustre senhora conseguiu sobreviver e não precisou mendigar, mas com toda certeza não teve a vida que havia planejado antes de se aposentar.

Os “investidores” de longo prazo, são na verdade pessoas preguiçosas e covardes, que querem se eximir de tomar decisões importantes ou penosas hoje. Estes “investidores” estão sempre em busca de uma fórmula mágica e pensam que só precisam comprar algo e esquecer.

Os verdadeiros especuladores e investidores são dinâmicos, agem rapidamente e não se prendem a um horizonte tão grande de tempo por mera acomodação.

Você deve avaliar os seus investimentos no máximo a cada 3 meses e deve se perguntar o seguinte: “Se estivessem me oferecendo este investimento hoje, eu o aceitaria?”. Se sim, tudo bem, continue. Se não, pule fora.

É importante que você acompanhe os seus investimentos para saber se eles o estão te levando na direção desejada. Se o ponto de saída está fincando mais perto ou mais longe. Se a cada dia que passa, seu ponto de saída está mais longe, pule fora.

Não será fácil, como já vimos antes, você mudar este paradigma. Afinal, “todo mundo” faz igual. Todos, inclusive o seu vizinho, querem ter um pé-de-meia, algo que os façam se sentir confortáveis e aquecidos. Não se iluda.

Sempre tenha em mente que você deve ter mobilidade, capacidade de mudar seus investimentos caso o perigo apareça. Não fique tentando imaginar hoje, quanto vai querer receber, por mês, daqui a vários anos.

Concentre-se no presente e boa sorte.

 

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7 Respostas to “Os Axiomas de Zurique”

  1. renato alemao Says:

    foi preciso ler isto para abrir um pouco a minha mente ela encontrava se um pouco fechada.obrigado……..

  2. Monaco Online » Blog Archive » Dicas para o natal Says:

    […] solo pobre possuem uma das maiores renda per-capta do mundo. Você pode ler um resumo deste livro aqui. Pense e enriqueça – Neste livro, Andrew Carnegie, relata ao autor quais são as características […]

  3. douglas Says:

    Excelente resumo………. Bjornn

  4. Marti Says:

    Muito bom…
    Compreende-se muito bem oque quer dizer o livro… já passei e repassei os axiomas mias de uma vez…
    Ótimo resumo!!!

  5. Marcelo Says:

    Sempre fui de confiar em mim mesmo. Quem ouve muito o que a maioria diz quer se “encaixar” precisando de aceitação. Outra coisa: O lucro é rápido. Atingiu o que quer, beleza! Caia fora! Não espere perder para sair! Perfeito o livro!

  6. Leandro R. da Silva Says:

    Olá, no axiomas 1 você simula o fato da pessoa investir em poupança e declarar imposto de renda. Só para lembrar aos leitores que a poupança no incide Imposto de Renda para pessoas fisicas.

  7. bjornn Says:

    Muito bem observado, Leandro.
    Obrigado pela observação.

    Neste caso pessoal, imagine um fundo de renda fixa bem conservador, ao invés da poupança.

    De toda forma, acho que deu para passar a idéia.

    Abraço.

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